Foto: Geisa Peixoto
Profissionais da saúde, representantes de entidades, movimentos sociais, estudantes e trabalhadores se reuniram na noite da última quinta-feira (26) para a plenária “SUS em Goiânia em risco de privatização: venha discutir e mobilizar!”, realizada na Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Goiás. O encontro foi promovido pela Frente Goiana Contra a Privatização da Saúde e teve como objetivo debater os impactos do avanço de processos de privatização e terceirização no Sistema Único de Saúde (SUS) e fortalecer a mobilização social em defesa da saúde pública.
A atividade contou com exposições da enfermeira, sindicalista e presidenta do Sindsaúde-GO, Neia Vieira, e do educador popular e diretor executivo do STIUEG, João Maria. Durante as falas, foram apresentados elementos que apontam para riscos associados à ampliação da gestão privada de serviços públicos de saúde, incluindo possíveis impactos no acesso da população, nas condições de trabalho dos profissionais e na transparência da gestão.
Neia Vieira destacou que processos de privatização podem comprometer princípios fundamentais do SUS, como a universalidade e a integralidade do atendimento. Segundo ela, o sucateamento de unidades de saúde e a falta de investimentos estruturais muitas vezes são utilizados como justificativa para a transferência da gestão para entidades privadas, como organizações sociais.
Já João Maria ampliou o debate para o contexto das políticas públicas no estado, apontando que a discussão sobre privatização não se limita à saúde e tem ocorrido também em outros serviços essenciais. A avaliação apresentada durante a plenária é de que a defesa de políticas públicas universais exige articulação permanente entre trabalhadores, entidades e sociedade civil.

Foto: Geisa Peixoto
Contexto
Nos últimos anos, o debate sobre terceirização e gestão privada de serviços do SUS tem sido recorrente em Goiânia. Entidades representativas da área da saúde têm manifestado preocupação com propostas de terceirização de unidades como Centros de Atenção Integrada à Saúde (Cais), Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e outros serviços da rede municipal, o que poderia transferir a gestão direta desses equipamentos para instituições privadas ou fundações.
Para movimentos e organizações que participaram da plenária, iniciativas dessa natureza podem aprofundar problemas estruturais já existentes na rede pública, como falta de profissionais, condições precárias de trabalho e insuficiência de investimentos. O debate também ressaltou a importância da participação popular e do controle social na formulação das políticas públicas de saúde.
Outro ponto destacado durante o encontro foi o contexto histórico da luta pela saúde pública no Brasil. Em 2026, completam-se 40 anos da 8ª Conferência Nacional de Saúde, considerada um marco na construção do SUS e na consolidação da saúde como direito de todos e dever do Estado.
Defesa do SUS
A plenária reforçou a necessidade de mobilização permanente da sociedade em defesa do SUS enquanto política pública universal, gratuita e de qualidade. Para os participantes, o fortalecimento do sistema passa pela ampliação do financiamento público, valorização dos trabalhadores e garantia de gestão pública transparente e participativa.
O encontro também se consolidou como um espaço de articulação entre entidades, sindicatos, movimentos sociais e conselhos profissionais comprometidos com a defesa do direito à saúde e com a manutenção do SUS como patrimônio da população brasileira.
